Inaugurado em 2022, Planetário Digital Udesc Oeste incentiva o interesse pela ciência e pela astronomia em SC

Gustavo Cabral Vaz
Udesc
gustavo.vaz@udesc.br

Há cerca de um ano, a região Oeste de Santa Catarina conta com um novo equipamento para atividades educacionais e científicas: o Planetário Digital da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Pinhalzinho. O Estado tem apenas três planetários digitais fixos, porém este é o único em um raio de 500 quilômetros, o que tem atraído um número crescente de visitantes.

A experiência vale a pena: a tecnologia digital proporciona uma qualidade aprimorada de imagem, e o público assiste confortavelmente, imerso em uma estrutura que parece saída dos filmes de ficção científica. Sentado sob uma cúpula, o espectador observa planetas e estrelas em um céu sem nuvens, passeia entre eles e se aproxima até perceber detalhes que sequer imaginava que existiam.

Implementado com um investimento total de R$ 752 mil, o planetário é resultado de uma parceria entre a Udesc, por meio do Centro de Educação Superior do Oeste (CEO), a Prefeitura de Pinhalzinho e a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), que contribuiu para o projeto com emendas de parlamentares da região.

Seu idealizador é o professor Daniel Iunes Raimann, integrante do Departamento de Engenharia de Alimentos e Engenharia Química da Udesc Oeste. Com licenciatura, mestrado e doutorado em Física, Raimann dedica-se às ações de extensão para melhorar a qualidade do ensino-aprendizagem das Ciências Exatas, especialmente na região Oeste do Estado. Há 17 anos, o professor desenvolve o Ciência Viva Udesc Oeste, hoje um programa de extensão permanente da universidade, ao qual o novo equipamento está vinculado.

Antes do planetário fixo, entre 2014 e 2019, o programa de Raimann atuou na região com um planetário móvel, também digital. Nesse período, a metodologia era diferente, incluia visitas às escolas e participação em eventos com sessões de até 40 minutos. O programa atendeu cerca de 20 mil pessoas, entre estudantes e comunidade em geral.

Raimann afirma que o planetário é um espaço destinado à popularização científico-tecnológica. “Entre outros objetivos, o planetário foi criado para dar suporte à melhoria dos Ensinos Fundamental, Médio e Superior, para receber ações de ensino, pesquisa e extensão, além de incentivar o turismo regional em uma rota educacional. É um projeto inovador, Udesc Oeste que está contribuindo muito para a melhoria da realidade educacional da região Oeste catarinense”, ressalta o professor.

A equipe do planetário é formada por Raimann e pela professora Leda Delevatti Thomae, da rede municipal de ensino de Pinhalzinho, além de estudantes bolsistas e voluntários do Ciência Viva Udesc Oeste. Raimann e Leda conduzem as sessões, com apoio dos acadêmicos. Quando o público é escolar, os conteúdos apresentados, além de adequados ao ano escolar, aprofundam o que é trabalhado em sala pelos professores. “As sessões são organizadas para que ocorra um momento de ambientação, seguido da exibição do filme e, por fim, são encerradas com um debate”, explica Raimann. Além do planetário, os visitantes podem conhecer a estrutura da universidade.

Preparação para a Mostra Brasileira de Foguetes

Entre as principais ações do planetário estão cursos de extensão, como o de preparação para a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), uma das principais competições de conhecimento do país, que envolve a construção e o lançamento de protótipos na Mostra Brasileira de Foguetes.

Em 2022, 1,2 mil alunos se capacitaram no Planetário Digital da Udesc para participar do evento, que ocorreu em maio e mobilizou, ao todo, quase 1,2 milhão de estudantes, de 12,5 mil escolas. Neste ano, professores e estudantes de escolas catarinenses de nove cidades fazem o curso preparatório.

A equipe do planetário começa 2023 com muitos planos. Estão em pauta a construção de um projeto pedagógico, a montagem de espaços didáticos complementares, a criação de um grupo de apoio, cursos para formação de planetaristas, além de parcerias para aumentar o número de planetários fixos no Estado. Para eles, o céu é o limite.

Estética futurista

Para quem visita o Planetário Digital, a estética futurista do prédio faz uma ambientação condizente às experiências vividas em seu interior. O potente projetor digital Fulldome Optima 4k permite simular o céu estrelado e mostrar objetos celestes, durante o dia e à noite, de qualquer região do Planeta ou época do ano.

Construção inovadora
A cúpula do Planetário Digital Udesc foi desenvolvida por uma empresa catarinense
Crédito: Julio Cavalheiro/Arquivo/Secom

A tecnologia também possibilita a exibição de filmes científicos e animações, proporcionando um efeito de imersão em 3D. A projeção é feita em uma cúpula de nove metros de diâmetro e o público assiste a tudo acomodado em 56 poltronas reclináveis, além de contar com acessibilidade e um espaço específico para cadeirantes, tudo isso em um ambiente climatizado.

A aparência externa do domo, a cúpula do planetário, é resultado de uma solução construtiva inovadora, desenvolvida por uma empresa catarinense: foi feita com revestimento externo de placas de ACM, um material composto de alumínio preenchido com polietileno. A escolha foi decisiva para viabilizar o projeto, pois reduziu o custo da obra em 80%, quando comparado aos planetários convencionais de mesmo porte e padrão de projeção.