
Empresa de Palhoça recebeu recursos do edital do Programa Impulsiona SC, desenvolvido pela Fapesc. (Fotos: Leonardo Ferreira)
Uma empresa catarinense desenvolveu, com apoio do Governo do Estado, solução inédita para acelerar o processo de reciclagem do poliestireno expandido (EPS), conhecido como Isopor (marca registrada), que levaria na natureza até 500 anos para se decompor. Com recursos do edital 50/2024 do Programa Impulsiona SC, desenvolvido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), a Resume, de Palhoça, desenvolveu uma pesquisa para a reciclagem química do EPS, com o uso de um solvente orgânico que transforma o material do estado sólido para líquido, permitindo que se torne matéria-prima para novos produtos como molduras, rodapés, solas de sapato, embalagens descartáveis de alimentos e para acomodar eletroeletrônicos, além de ser usado em pranchas de surf e telhas térmicas. E mais: o novo processo garantiria um produto reciclado com as propriedades próximas à da resina virgem a um custo de 55% do valor praticado no mercado.
O Brasil produz mais de 100 mil toneladas de EPS por ano e recicla cerca de 34,5% do material, composto por 98% de ar e 2% de plástico (poliestireno), derivado do petróleo. O EPS não é biodegradável, porém, segundo o coordenador do projeto e sócio da Resume, Carlos Eduardo Sarkis, pode ser 100% reciclado. Na maioria das vezes, o produto é descartado como lixo comum, comprometendo a coleta seletiva urbana. “Pelo grande volume que o EPS tem, temos um desafio do transporte dele até o local de reciclagem. E pela forma de descarte, temos problemas com a qualidade do material que chega”, comenta.
Fundada em 2002 a partir de um projeto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde Sarkis fez Mestrado em Ciências e Engenharia de Materiais, a Resume foi criada para fazer logística reversa e a reciclagem do EPS. Em 2024, com a aprovação do projeto no edital Programa Impulsiona SC, da Fapesc, a empresa inovou no processo de reciclagem e desenvolveu com o solvente orgânico (que em parte utiliza o próprio poliestireno) uma nova tecnologia para a solução do problema de reciclagem do EPS, que segundo Sarkis, é mais rápida, econômica e eficiente. “O recurso que recebemos da Fapesc foi um divisor de águas para o nosso trabalho. Com recursos próprios, subimos devagar, degrau por degrau, ao longo dos anos. Com o apoio do Impulsiona SC, conseguimos subir muitos degraus da escada em pouco tempo, com a aquisição de materiais e melhorias nos equipamentos”, ressalta.
O presidente da Fapesc, Fábio Wagner Pinto, afirma que o fomento concedido pela fundação para o desenvolvimento de projetos de pesquisa e inovação em todo o Estado é pensado também para que soluções de problemas reais da economia e da sociedade sejam encontradas. “As dificuldades em reciclagem de materiais é um gargalo da produção industrial não só do Brasil. Com apoio via recursos do Governo do Estado, uma empresa catarinense, que nascida basicamente dentro de uma universidade, conseguiu encontrar uma solução para um problema que afeta o mundo todo. Isso é a prova da importância do olhar que o Governo de Santa Catarina tem para o ecossistema de Ciência, Tecnologia e Inovação como impulsionador do desenvolvimento catarinense”, salienta o presidente da Fapesc.
Melhoria da logística reversa

O coordenador do projeto explica que a ideia de usar o solvente para fazer esse trabalho de purificação do produto surgiu da necessidade de melhorar a logística reversa, já que o EPS gera muito volume para o transporte. “Com a condensação do produto, conseguimos trazer mais matéria-prima por viagem e diminuir o custo do transporte. Sem contar que após a reciclagem, conseguimos uma qualidade do produto muito superior ao que é feito hoje mecanicamente”, afirma Sarkis. “No processo tradicional, moemos e derretemos o EPS, para depois reutilizar. Mas temos o problema das impurezas, como restos de alimentos, etiquetas, colas e outros materiais, que precisam ser retirados manualmente, encarecendo o processo de reciclagem. Com o uso do solvente, mergulhamos o EPS na solução e ele dissolve, mas os contaminantes não. Assim, conseguimos fazer a separação de forma mais rápida e econômica, obtendo um polímero com características da resina virgem, a um custo de apenas 55% do valor de mercado”, complementa.
Últimos dias do envio de projetos para o Impulsiona SC
Os empreendedores interessados em participar da segunda edição do Programa Impulsiona SC, devem se apressar. O envio de propostas para o edital encerra nesta sexta-feira, 20.
Com R$ 10 milhões para fomentar o desenvolvimento ou aprimoramento de produtos, serviços ou processos inovadores, o edital é voltado para startups e empresas com no mínimo um ano de atuação, faturamento bruto anual de até R$ 1,2 milhão e que não tenham projetos contemplados na primeira edição do Impulsiona SC.
Podem participar empresas de base tecnológica das seis mesorregiões catarinenses. Cada proposta aprovada receberá do Governo do Estado até R$ 200 mil para o desenvolvimento do projeto.
Os projetos enviados para a seleção do edital devem estar enquadrados em pelo menos uma das linhas temáticas do edital, que contemplam desafios estratégicos e contemporâneos: Inteligência Artificial; Biotecnologia; Saúde; Mobilidade Urbana e Cidades Inteligentes; Transição Energética; Saneamento; Resíduos Industriais e Urbanos.
Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc)
Milena Nandi – milena.nandi@fapesc.sc.gov.br
49 98878-7828